terça-feira, 9 de março de 2010

As folhas do tempo



Tenho prazer em revirar papéis velhos. O pó nos dedos, o crepitar das páginas ressecas, o cheiro que exala o amarelo deixado pelos anos idos, tudo isso reinventa o tempo. É como se as histórias do passado voltassem à vida, conquistassem o presente, ainda que por alguns momentos, naqueles instantes em que a gente mentalmente as reconstrói enquanto manuseia tudo.

Quando tenho oportunidade, sempre remexo o arquivo de onde trabalho. É um universo à parte, um mundo dentro do mundo, existências e fatos que repousam em silêncio à margem de uma rotina ruidosa e distraída.

Hoje, precisei passar por lá por um desses motivos banais e cotidianos. Mas, feito o que tinha de fazer, resolvi correr os olhos por mais algumas prateleiras. Peguei umas pastas cujos temas me interessavam e ali passei mais de uma hora lendo papéis, vendo fotos, observando anotações rabiscadas em documentos, tentando reconhecer assinaturas.

Ali, no meio daqueles maços, conheci mais um pouco do Brasil que não vivi. E como a gente paga um preço por tudo o que passa a conhecer, bateu uma tristeza por muito do que vi no ontem. Mas, por outro lado, bateu também uma imensa alegria por tudo o que vi no hoje. E, principalmente, por tudo o que vi no amanhã.

4 comentários:

Renato disse...

Tem pauta aí?

Anônimo disse...

Tá de sacanagem... guarda pra mim isso aí, meu caro. To pelejando aqui por uma pauta. Beijo. Matheus Leitão

Renato disse...

Matheus Peitão, entra na fila.

Contador da história disse...

Putz...pauta, pauta, pauta...
Falta literatura no nossos dias de jornalismo.