O mercado brasileiro tem, realmente, muito de insensatez, onde o consumidor sempre protagoniza o papel do otário. Durante anos, vivemos no país uma inflação imaginária. Os preços subiam sem qualquer justificativa, simplesmente porque os comerciantes pressentiam uma desvalorização da moeda. E, porque subiam, a inflação aumentava. E, porque a inflação aumentava, a moeda mais desvalorizava. Era o cachorro correndo atrás do rabo. Demoramos anos para apagar das paredes da memória essa cultura inflacionária.
Mas os maus hábitos comerciais, esses não os abandonamos. Eles fazem parte da nossa vilania de mercado, são intrínsecos aos tantos matizes do nosso capitalismo selvagem.
Me sinto um palhaço, um sujeito vítima de bandidos, quando vou comprar algo cujo preço está absurdamente acima do seu valor real. Não há matemática que explique o tanto de lucro que se agrega a determinados bens para justificar a quantia cobrada ao consumidor.
É fácil ver isso quando se vai ao interior: quem trabalha, quem produz - do agricultor ao artesão - entrega o resultado do esforço por uma ninharia a alguém que o vai vender por fortunas.
Certo. Conhecemos Marx e tudo o que ele falou sobre mais-valia. Mas a mais-valia brasileira mais vale do que em qualquer outro lugar do mundo. É aplicada mesmo por comerciante em cima de comerciante. Claro, em prejuízo final do consumidor.
Impostos sobre importação, há, sem dúvida. São mais altos ainda para álcool, certamente. Mas 600% de lucro sobre uma garrafa é ou não é um ato de bandidagem de livre mercado?