sexta-feira, 4 de junho de 2010

MPB francesa



Na terra que pariu ao mundo nomes como Edith Piaf, Jacques Brel, Claude François, Charles Aznavour, música boa é um negócio meio marginal.

Acho uma merda não encontrar um bar em toda Paris onde haja um grupo ou cantor que segure a noite com música popular francesa. Já revirei guias, interroguei amigos, indaguei a conhecidos de ocasião, inquiri gente perita, vaguei por lugares ermos, mas nada, nem sinal.

Tomo cervejas, de regra, em ambientes musicalmente mudos. Conheço gente no Brasil que é capaz de cometer um homicídio se sentar num bar e alguém ousar entoar Dia branco. Se forçar voz de Geraldo Azevedo então, não duvido mesmo que o sujeito mate, além do cantor, a família do cabra e mande salgar suas terras.

Mas a mim me faz falta tomar uma gelada ouvindo uma musiquinha ao vivo. E não falo de música brasileira porque essa, vez ou outra, sempre rola por aqui, encabeçada mesmo por grupos de franceses. Falo da música popular da terra, tocada com acordeão e tudo. Essa, não se encontra.

Fosse daqui o meu caro amigo, Paris seria outra, cheia de cantos por todos os lados. Mas, em não sendo e não dispondo a cidade do mesmo hábito brasileiro de abrir espaço a músicos em bares e restaurantes, as canções tão famosas só ressoam mesmo nas nossas cabeças, com cheiro de passado, sem ninguém que se ocupe de trazê-las de volta à ribalta. Não à toa, a rádio que mais as relembra se chama Nostalgie FM.

Uma pena porque, aos poucos, vão caindo essas vozes e essas músicas no esquecimento, perdendo terreno para outras tantas de péssima qualidade como as que invadem os ares franceses em tempos atuais.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O que foi dito


"Em Portugal, para fazer-se um conde se pediam quinhentos anos; no Brasil, quinhentos contos."

Pedro Calmon, historiador

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Tome choque



Os policiais municipais franceses receberam autorização para, a partir de hoje, voltar a portar as chamadas pistolas a impulsos elétricos.

Elas tinham sido retiradas de circulação no fim do ano passado pelo Conselho de Estado, a mais alta instância administrativa da França, sob a alegação de que seu uso não estava suficientemente regulamentado pelo decreto de oito linhas que autorizava a utilização pelos policiais.

O governo, então, editou novo decreto, dessa vez com duas páginas, publicado no diário oficial de hoje, fundamentando melhor a coisa. O equipamento só poderá ser portado por agentes treinados e deve conter dispositivo sonoro e câmera associada ao visor.

A descarga elétrica da belezinha, de mais de 50 mil volts, bloqueia o sistema nervoso central da vítima, deixando-a inerte e no chão durante algum tempo. Cerca de 18,5 mil policiais disporão de uma pistola desse tipo, marca Taser. A Rede de Alerta e de Intervenção pelos Direitos Humanos, autora da ação junto ao Conselho de Estado que tentou impedir o uso da arma, é totalmente contra a sua utilização.

terça-feira, 25 de maio de 2010

O esquadrão deles


Às vésperas do início da Copa, fim do mistério. Raymond Domenech anunciou pelo site da Federação Francesa de Futebol os escalados para a seleção que comanda.

De surpresa, apenas Valbuena, que joga no OM e foi convocado como reforço aos atacantes. De resto, um timezinho insosso, que não empolgou ninguém por aqui.

No gol : Hugo Lloris (Lyon), Steve Mandanda (Marseille), Cédric Carrasso (Bordeaux)

Na zaga : William Gallas (Arsenal/ENG), Eric Abidal (FC Barcelone/ESP), Bakary Sagna (Arsenal/ENG), Patrice Evra (Manchester United/ENG), Gaël Clichy (Arsenal/ENG), Marc Planus (Bordeaux), Anthony Réveillère (Lyon), Sébastien Squillaci (FC Séville/ESP)

No meio-de-campo : Abou Diaby (Arsenal/ENG), Alou Diarra (Bordeaux), Yoann Gourcuff (Bordeaux), Florent Malouda (Chelsea/ENG), Jérémy Toulalan (Lyon)

No ataque : Nicolas Anelka (Chelsea/ENG), Djibril Cissé (Panathinaïkos/GRE), André-Pierre Gignac (Toulouse), Sidney Govou (Lyon), Thierry Henry (FC Barcelone/ESP), Franck Ribéry (Bayern Munich/GER), Mathieu Valbuena (Marseille)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Está no Museu d´Orsay



A origem do mundo - Gustavo Courbet

terça-feira, 18 de maio de 2010

Mundo cão



Eike Batista tem sob as solas dos seus sapatos uma fortuna de 27 bilhões de dólares, incontáveis empregados e todos os que estão abaixo da sua oitava posição no ranking da Forbes. Mas, quando vem a Paris, seus belos e ilustrados Gianni pisam em algo além de pedais de Ferrari e Maserati. Às solas de Eike Batista, agrega-se uma quantidade considerável de bosta de cachorro que há espalhada por todos os cantos desta cidade.

Não me engano quando digo que a capital francesa é mais dog friendly que child friendly. Há cafés, bares e restaurantes por aqui onde seu cão é muito mais benvindo que seu filho.

Os cachorros agradam famílias e são companheiros de muitos idosos e solitários. Estão indissociavelmente ligados à atmosfera local.

Somam cerca de 200 mil. Mas os seus cocôs viram um problema social, já que, como vivem em apartamentos, é a rua que fazem de toillete. Por dia, essas belezinhas produzem em torno de 16 toneladas de excrementos, que são solenemente ignoradas por seus donos. Mesmo as multas aplicadas a partir de 2002, que podem chegar a 450 euros em caso de reincidência, parecem não sensibilizar a turma por aqui.

Além dos 16 mil quilos de excrementos, há outro peso a se considerar: o financeiro. Para dar conta de tudo isso, a prefeitura despende, anualmente, 11 milhões de euros dos contribuintes com vistas a contornar o problema das "dejeções caninas".

Quando há neve ou chuva, então, o caldo entorna: misturadas a gelo e água, as "obras" viram umas pastas propícias à patinação, que derrubam pelas ruas 650 incautas criaturas todos os anos.

No Brasil, há quem diga que pisar em cocô de cachorro significa dinheiro chegando. Penso que isso foi criado para minimizar o ódio do sujeito que, andando na rua, se sente infeliz por pisar em merda. Mas, se essa máxima for verdade, não há lugar no mundo com mais possibilidade de se enriquecer rapidamente do que Paris.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

No bolso, não


As medidas de austeridade perseguidas na Europa para combater a crise deram lugar a uma onda peculiar por aqui: os governos estão cortando os salários dos próprios medalhões como prova de solidariedade nos esforços. Na Espanha, Zapatero reduziu em 15% os salários dos seus ministros. David Cameron, o novo primeiro-ministro britânico, congelou por cinco anos os vencimentos do gabinete. Irlanda e Portugal anunciaram que seguirão a mesma linha.

Na França, o negócio não desceu redondo. A proposta foi apresentada na reunião do Conselho de Ministros pela ministra da Economia, Christine Lagarde, e houve quem torcesse o nariz pra ela.

Entre os descontentes com a ideia, os ministros do Trabalho, do Orçamento e o da Função Pública, autor dessa joia de frase: "Não há razão pra baixar os salários dos ministros na França porque os salários dos funcionários (públicos) não vão baixar".

Vê-se que, como bom francês, igualdade e fraternidade são valores que o ministro preza. Pelo menos quando lhe convém.