quinta-feira, 13 de maio de 2010

O que foi dito


"No homem cordial, a vida em sociedade é, de certo modo, uma verdadeira libertação do pavor que ele sente em viver consigo mesmo, em apoiar-se sobre si próprio em todas as circunstâncias da existência. Sua maneira de expansão para com os outros reduz o indivíduo, cada vez mais, à parcela social periférica, que no brasileiro - como bom americano - tende a ser a que mais importa. Ela é antes um viver nos outros."

Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Os sujos e os mal lavados


Achei que tinha ido dormir tarde quando desliguei o computador à 1h30 desta segunda-feira. Mas os ministros da Economia dos 27 países europeus foram dormir mais tarde ainda. Só encerraram a reunião sobre a crise na Zona Euro às 3h. Não sem razão. Eles têm mais problemas pra fechar as contas do que eu com meu cheque especial.

Do encontro em Bruxelas terminado há pouco, saiu a decisão de criar um fundo de até 750 bilhões de euros para socorrer países da União Europeia em dificuldades. O negócio é tentar reparar o mais rapidamente possível o estrago em marcha, a que se demorou tanto a reagir. Começou pela Grécia e já engolfa Portugal e Espanha, aos quais já está sendo exigida a apresentação de sérias medidas de "austeridade".

Daí uma reunião tão exaustiva, com tantas consultas, vaivéns, troca de telefonemas entre os ministros e suas capitais, para que se arrumasse uma resposta forte a se dar ao mercado antes mesmo que as bolsas abrissem nesta segunda-feira. Tóquio começou o dia com uma leve respirada. A ver como andarão as da Europa e as dos Estados Unidos.

O problema maior é que grande parte dos fiadores desse acordão, como França e Reino Unido, não estão em situação tão mais confortável do que os colegas em dificuldades. É aquela coisa: o sujeito está cheio de dívidas, não tem dinheiro, mas, como goza de melhor prestígio, arruma algum emprestado na praça com o crédito que tem para repassar a terceiros a juros mais altos. No fim, ainda espera sair com uns trocados no bolso por essa operação.

Mas, se rolar calote de algum lado, já sentiu, né? Corre porque a quebradeira será geral.

sábado, 8 de maio de 2010

Pintar o real



Giverny, guardada a pouco mais de uma hora de Paris, é um lugar que existe em sonho nessa nossa realidade.

As obras humanas que passaram para a História transpuseram a linha do esquecimento pelo nível de perfeição e de toque sensível do ser humano que carregam. Quando essas obras são representações, não é raro que sejam infinitamente mais belas do que o real que representam.

Sempre achei as pinturas de Monet insuperáveis. Até conhecer, em plena primavera, os jardins que as inspiraram, lá em Giverny. Tudo ali teve a mão do artista desde o início. Em uma viagem de trem, em 1883, bateu seus olhos no lugar e ambos escolheram um ao outro. A propriedade nem estava à venda, mas Monet tanto infernizou a vida do dono da área com propostas, que ele aceitou repassá-la.

Cuidou de tudo, de cada planta, da escolha de cada flor, da expansão do terreno até o lago das suas nymphéas, da limpeza diária das folhas caídas sobre essas suas musas retratadas em telas.


Como o poeta que amou mais do que o que conseguiu externar em poema, penso que Monet foi feliz por ter trabalhado mais pelo seu jardim - sua realidade, matéria-prima da sua inspiração - do que pelas próprias representações. Ele trazia aí a consciência de que, da plena existência do primeiro, dependia a verdade artística das suas obras, dos seus sonhos. Talvez tenha sido isso que quis expressar quando, um dia, sentenciou que era melhor jardineiro que pintor.

Está lá em casa



O amor - Pedro Nogueira da Costa Lima

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Meia-volta antes da queda


Circula a informação de fontes do Governo francês de que o AF 447 poderia ter dado uma meia-volta antes da queda no oceano.

Gente da marinha confirmou ao jornal Le Figaro que "o avião estava em sérias dificuldades e teria, conforme os procedimentos em vigor, feito uma meia-volta seja para sair da zona de cumulonimbus, seja para retornar ao Brasil".

A afirmação provoca rebuliço nas investigações porque demonstra que as buscas pelas caixas-pretas, baseadas na última posição conhecida do avião, tinham sido, até o mês de março, conduzidas sobre uma área equivocada.

As últimas conclusões estão fundadas na decodificação dos sinais recebidos por um equipamento desenvolvido recentemente, que, acoplado às buscas, identificou-os como vindos dos sensores das caixas-pretas.

Hoje, a área de busca está reduzida a 80 Km2 contra os 17 mil Km2 em que se trabalhava 11 meses atrás. Espera-se, com otimismo, o resgate das caixas para, enfim, saber o que houve naquela madrugada fatídica de primeiro de junho de 2009.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Pequeno dicionário de corrupção na política brasileira

Windows Espaço insuficiente para esta operação.

O novo eldorado



O Brasil brilha hoje na capa e em 21 páginas da revista francesa Le Point.

Apontado como novo eldorado pela publicação, o país é abordado como dono de uma "saúde insolente" em comparação a uma "velha Europa" que patina e se afunda.

É um "novo mundo furiosamente otimista e descomplexado", diz a revista.

A capa traz uma foto linda da modelo Adriana Lima. Dentro, os antigos estereótipos de samba, morena e carnaval dão lugar a reportagens que retratam o momento singular pelo qual passa o Brasil.

Prova de que mudou muito a forma como, atualmente, somos percebidos pelo resto do mundo. Especialmente, pela França, cujo respeito por nós é imenso.