Um inimigo que superestima os nossos defeitos é o mesmo que um amigo que subestima as nossas qualidades.
Dom Corleone
terça-feira, 24 de agosto de 2010
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Barato auditivo

Nem fumar, nem cheirar, nem beber. A onda agora é consumir droga pelos ouvidos. O negócio começou nos Estados Unidos e, aqui na França, chegou cheio de adeptos.
As e-drugs são umas misturas de frequências sonoras, com duração entre 15 e 30 minutos, que você compra pela Internet pra ficar chapado.
O preço mínimo é de 10 dólares. Mas algumas mais pesadas chegam a custar 200 georgewashingtons.
Elas são legais. Ainda. Trazem embutidos batimentos bineurais, fenômeno neurológico cujos efeitos psicológicos são altamente controversos.
Você baixa a música, apaga as luzes do quarto, deita, fecha os olhos (dica importantíssima) e põe o negócio pra rodar.
Há para todos os gostos, de todos os tipos: maconha, ópio, euforia, orgasmo.
O modelo "Mão de Deus" é apontado como um dos melhores. Custa 199 dólares e, segundo os depoimentos dos usuários, promove uma saída do corpo, com direito a viagem astral.
Sobre o do orgasmo, um utilizador comentou na página onde se compram as e-drugs: "No começo, eu não senti nada. Mas, ao fim de dois minutos, notei que meu soldadinho estava em posição de guarda".
Eu achava que transformar música em drogas era coisa só de dupla sertaneja e grupo de pagode. Mas o admirável mundo novo de Aldous Huxley está em cena para provar o contrário.
Sou da moda antiga. Fico com a cerveja.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
O que foi dito
"Só no Ocidente houve progressos, muitos, mas ainda há discriminação. Quem sabe a própria venha a calhar nesse momento de eleições, atiçando os machos selvagens e nos salvando da Dilma?"
Maitê Proença, atriz
"Homi, num abra a boca pra falar merda, não! Triste da mãe que tem um filho que faz da boca cu."
Jessier Quirino, poeta paraibano
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Viramos grife

Ser Brasil está na moda. Além do orgulho próprio dos brasileiros de andar pelo exterior portando camisas da seleção, em que pese os tempos de pífio desempenho, é considerável o número de não-brasileiros usando algo que lembre nosso país.
Em lojas de esporte e até de souvenir pela Europa, creiam, há camisas de Robinho, de Kaká (cuja pronúncia, em francês, quer dizer cocô) e de Ronaldo (Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem). Nos supermercados, são destaque os produtos com origem brasileira, como os sucos feitos com laranja do Brasil.
Encontrei nas praias do sul uma francesa de uns 19 anos com biquíni em estampa da nossa bandeira. À pergunta da Carol se era brasileira, ela respondeu com um sorriso desolado: "Non, malheureusement non". Não tinha qualquer laço que a unisse a terras exóticas e tropicais além do da simpatia.
Outro dia, vi em Praga um sujeito eslavo com uns sapatos todos desenhados também com a nossa flâmula. Eram tão rudimentares, os calçados e o seu proprietário, que acredito que o porra-louca os comprou em uma grife ecológica-sem-recursos dessas que pipocam por aí ou ele mesmo os produziu no quintal de casa.
Em suma, já somos uma espécie de marca.
Fulguras, ó Brasil, fodão da América!
sábado, 24 de julho de 2010
Playmobil campanha eleitoral
quinta-feira, 22 de julho de 2010
O que foi dito
"Essa cova em que estás,
com palmos medida,
é a cota menor
que tiraste em vida.
É de bom tamanho,
nem largo nem fundo,
é a parte que te cabe
neste latifúndio.
Não é cova grande,
é cova medida,
é a terra que querias
ver dividida."
João Cabral de Melo Neto, em Morte e Vida Severina
?

Paris é uma cidade dividida em 20 regiões político-administrativas, chamadas de arrondissements. Cada uma delas tem prefeito eleito pelo voto direto, cujo poder de mando faz os cargos serem disputados por muitos medalhões da República e dá mesmo cacife para que eles possam fazer frente, em muitas áreas, ao mando do próprio prefeito da cidade.
O 16o arrondissement é o mais rico deles. Ele é 1/20 dentro da cidade, mas, sozinho, responde por 1/5 do orçamento de Paris.
É o mais conservador deles. Em qualquer eleição, a direita - mesmo em épocas em que Sarkozy amarga a pior rejeição de um presidente na V República - ganha, logo no primeiro turno, com 80% dos votos.
É o mais segregacionista deles. Os moradores declararam guerra à Prefeitura de Paris, que é de esquerda, contra a implantação no bairro do programa municipal de fomento a moradias para pessoas de baixa renda, chamadas HLM (habitations à loyer modéré).
Dos 20% de habitações desse tipo exigidos por lei em cada bairro, o 16o arrondissement tem apenas 2% cumpridos.
Organizada, a cruzada antivizinhopobre da gente chic da região breca, atualmente, a implantação de 407 moradias dessa natureza. Na área norte do arrondissement, uma associação de moradores já desembolsou 25 mil euros com advogados para barrar na Justiça a viabilização de 135 delas.
O prefeito do bairro, figurão da direita, grita contra o prefeito de Paris, expoente da esquerda: "Bate-se na burguesia para se fazer popular entre os pobres". A esquerda responde que o Seizième é área de gente que se recusa a passar por uma "mistura social".
Afogados nas incertezas, mais do que aqueles que precisam das habitações, ficam os valores de todo um povo tão conhecidos entre nós desde os bancos de escola.
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