quinta-feira, 22 de julho de 2010

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Paris é uma cidade dividida em 20 regiões político-administrativas, chamadas de arrondissements. Cada uma delas tem prefeito eleito pelo voto direto, cujo poder de mando faz os cargos serem disputados por muitos medalhões da República e dá mesmo cacife para que eles possam fazer frente, em muitas áreas, ao mando do próprio prefeito da cidade.

O 16o arrondissement é o mais rico deles. Ele é 1/20 dentro da cidade, mas, sozinho, responde por 1/5 do orçamento de Paris.

É o mais conservador deles. Em qualquer eleição, a direita - mesmo em épocas em que Sarkozy amarga a pior rejeição de um presidente na V República - ganha, logo no primeiro turno, com 80% dos votos.

É o mais segregacionista deles. Os moradores declararam guerra à Prefeitura de Paris, que é de esquerda, contra a implantação no bairro do programa municipal de fomento a moradias para pessoas de baixa renda, chamadas HLM (habitations à loyer modéré).

Dos 20% de habitações desse tipo exigidos por lei em cada bairro, o 16o arrondissement tem apenas 2% cumpridos.

Organizada, a cruzada antivizinhopobre da gente chic da região breca, atualmente, a implantação de 407 moradias dessa natureza. Na área norte do arrondissement, uma associação de moradores já desembolsou 25 mil euros com advogados para barrar na Justiça a viabilização de 135 delas.

O prefeito do bairro, figurão da direita, grita contra o prefeito de Paris, expoente da esquerda: "Bate-se na burguesia para se fazer popular entre os pobres". A esquerda responde que o Seizième é área de gente que se recusa a passar por uma "mistura social".

Afogados nas incertezas, mais do que aqueles que precisam das habitações, ficam os valores de todo um povo tão conhecidos entre nós desde os bancos de escola.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

E por falar em saudade...



36, avenue de l'Opéra, 2ème arrondissement, Paris.

domingo, 27 de junho de 2010

Todos querem um lugar ao sol


Piscina pública de Boulogne-Billancourt

Hora: 12h
Temperatura: 30 graus
Tempo de espera para a entrada: 1 hora


Piscina pública de Boulogne-Billancourt

Hora: 17h
Temperatura: 27 graus
Tempo de espera para a entrada: Sem previsão. Portarias fechadas até o esvaziamento de público necessário


sexta-feira, 25 de junho de 2010

Está lá em casa



O futebol do Brasil - João Nogueira da Costa Lima

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Allez Brésil!



O espírito esportivo, eu entendo. Vale a competição, não se ri do perdedor, blablablá, blablablá. Mas que foi lindo o fiasco da França na Copa do Mundo, ah, menino, isso foi.

Pra fora, a gente fala: "C'est dommage. Je suis vraiment désolé pour vous et pour les Bleus". Mas pra dentro, há aquela risada sórdida e incontrolável. É assim a polidez.

A coisa me enche mais ainda o peito quando entro de manhã no metrô e está lá um garoto loiro-dos-olhos-azuis, com seus 15, 16 anos, francês há 20 gerações, indo para a escola com a camisa da seleção brasileira.

É algo que não conseguimos imaginar. Não é lógico pra nós, numa Copa do Mundo, pensar num brasileiro portando camisa de seleção que não seja a nossa.

Hoje, vindo pro trabalho, esbarrei numa banca de revista da avenue Montaigne - o caminho mais chique da cidade, onde Prada, Louis Vuitton, Channel, Valentino e outras grifes dividem espaço - com o nosso pano verde-amarelo hasteado bem na frente, exposto como se fosse mais valioso do que os que se mostram pelas caras vitrines da avenida.

Vejo que há por aqui um respeito imenso pelo nosso futebol. E, nesses momentos vergonhosos enredados por Anelkas e Domenechs, irrompe entre os franceses a incontrolável vontade de ter um time pra chamar de seu. Mesmo que seja o meu.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

19 dias depois...


Tem alguém aí?

sexta-feira, 4 de junho de 2010

MPB francesa



Na terra que pariu ao mundo nomes como Edith Piaf, Jacques Brel, Claude François, Charles Aznavour, música boa é um negócio meio marginal.

Acho uma merda não encontrar um bar em toda Paris onde haja um grupo ou cantor que segure a noite com música popular francesa. Já revirei guias, interroguei amigos, indaguei a conhecidos de ocasião, inquiri gente perita, vaguei por lugares ermos, mas nada, nem sinal.

Tomo cervejas, de regra, em ambientes musicalmente mudos. Conheço gente no Brasil que é capaz de cometer um homicídio se sentar num bar e alguém ousar entoar Dia branco. Se forçar voz de Geraldo Azevedo então, não duvido mesmo que o sujeito mate, além do cantor, a família do cabra e mande salgar suas terras.

Mas a mim me faz falta tomar uma gelada ouvindo uma musiquinha ao vivo. E não falo de música brasileira porque essa, vez ou outra, sempre rola por aqui, encabeçada mesmo por grupos de franceses. Falo da música popular da terra, tocada com acordeão e tudo. Essa, não se encontra.

Fosse daqui o meu caro amigo, Paris seria outra, cheia de cantos por todos os lados. Mas, em não sendo e não dispondo a cidade do mesmo hábito brasileiro de abrir espaço a músicos em bares e restaurantes, as canções tão famosas só ressoam mesmo nas nossas cabeças, com cheiro de passado, sem ninguém que se ocupe de trazê-las de volta à ribalta. Não à toa, a rádio que mais as relembra se chama Nostalgie FM.

Uma pena porque, aos poucos, vão caindo essas vozes e essas músicas no esquecimento, perdendo terreno para outras tantas de péssima qualidade como as que invadem os ares franceses em tempos atuais.