
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Tome choque

Os policiais municipais franceses receberam autorização para, a partir de hoje, voltar a portar as chamadas pistolas a impulsos elétricos.
Elas tinham sido retiradas de circulação no fim do ano passado pelo Conselho de Estado, a mais alta instância administrativa da França, sob a alegação de que seu uso não estava suficientemente regulamentado pelo decreto de oito linhas que autorizava a utilização pelos policiais.
O governo, então, editou novo decreto, dessa vez com duas páginas, publicado no diário oficial de hoje, fundamentando melhor a coisa. O equipamento só poderá ser portado por agentes treinados e deve conter dispositivo sonoro e câmera associada ao visor.
A descarga elétrica da belezinha, de mais de 50 mil volts, bloqueia o sistema nervoso central da vítima, deixando-a inerte e no chão durante algum tempo. Cerca de 18,5 mil policiais disporão de uma pistola desse tipo, marca Taser. A Rede de Alerta e de Intervenção pelos Direitos Humanos, autora da ação junto ao Conselho de Estado que tentou impedir o uso da arma, é totalmente contra a sua utilização.
terça-feira, 25 de maio de 2010
O esquadrão deles
Às vésperas do início da Copa, fim do mistério. Raymond Domenech anunciou pelo site da Federação Francesa de Futebol os escalados para a seleção que comanda.
De surpresa, apenas Valbuena, que joga no OM e foi convocado como reforço aos atacantes. De resto, um timezinho insosso, que não empolgou ninguém por aqui.
No gol : Hugo Lloris (Lyon), Steve Mandanda (Marseille), Cédric Carrasso (Bordeaux)
Na zaga : William Gallas (Arsenal/ENG), Eric Abidal (FC Barcelone/ESP), Bakary Sagna (Arsenal/ENG), Patrice Evra (Manchester United/ENG), Gaël Clichy (Arsenal/ENG), Marc Planus (Bordeaux), Anthony Réveillère (Lyon), Sébastien Squillaci (FC Séville/ESP)
No meio-de-campo : Abou Diaby (Arsenal/ENG), Alou Diarra (Bordeaux), Yoann Gourcuff (Bordeaux), Florent Malouda (Chelsea/ENG), Jérémy Toulalan (Lyon)
No ataque : Nicolas Anelka (Chelsea/ENG), Djibril Cissé (Panathinaïkos/GRE), André-Pierre Gignac (Toulouse), Sidney Govou (Lyon), Thierry Henry (FC Barcelone/ESP), Franck Ribéry (Bayern Munich/GER), Mathieu Valbuena (Marseille)
segunda-feira, 24 de maio de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
Mundo cão

Eike Batista tem sob as solas dos seus sapatos uma fortuna de 27 bilhões de dólares, incontáveis empregados e todos os que estão abaixo da sua oitava posição no ranking da Forbes. Mas, quando vem a Paris, seus belos e ilustrados Gianni pisam em algo além de pedais de Ferrari e Maserati. Às solas de Eike Batista, agrega-se uma quantidade considerável de bosta de cachorro que há espalhada por todos os cantos desta cidade.
Não me engano quando digo que a capital francesa é mais dog friendly que child friendly. Há cafés, bares e restaurantes por aqui onde seu cão é muito mais benvindo que seu filho.
Os cachorros agradam famílias e são companheiros de muitos idosos e solitários. Estão indissociavelmente ligados à atmosfera local.
Somam cerca de 200 mil. Mas os seus cocôs viram um problema social, já que, como vivem em apartamentos, é a rua que fazem de toillete. Por dia, essas belezinhas produzem em torno de 16 toneladas de excrementos, que são solenemente ignoradas por seus donos. Mesmo as multas aplicadas a partir de 2002, que podem chegar a 450 euros em caso de reincidência, parecem não sensibilizar a turma por aqui.
Além dos 16 mil quilos de excrementos, há outro peso a se considerar: o financeiro. Para dar conta de tudo isso, a prefeitura despende, anualmente, 11 milhões de euros dos contribuintes com vistas a contornar o problema das "dejeções caninas".
Quando há neve ou chuva, então, o caldo entorna: misturadas a gelo e água, as "obras" viram umas pastas propícias à patinação, que derrubam pelas ruas 650 incautas criaturas todos os anos.
No Brasil, há quem diga que pisar em cocô de cachorro significa dinheiro chegando. Penso que isso foi criado para minimizar o ódio do sujeito que, andando na rua, se sente infeliz por pisar em merda. Mas, se essa máxima for verdade, não há lugar no mundo com mais possibilidade de se enriquecer rapidamente do que Paris.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
No bolso, não
As medidas de austeridade perseguidas na Europa para combater a crise deram lugar a uma onda peculiar por aqui: os governos estão cortando os salários dos próprios medalhões como prova de solidariedade nos esforços. Na Espanha, Zapatero reduziu em 15% os salários dos seus ministros. David Cameron, o novo primeiro-ministro britânico, congelou por cinco anos os vencimentos do gabinete. Irlanda e Portugal anunciaram que seguirão a mesma linha.
Na França, o negócio não desceu redondo. A proposta foi apresentada na reunião do Conselho de Ministros pela ministra da Economia, Christine Lagarde, e houve quem torcesse o nariz pra ela.
Entre os descontentes com a ideia, os ministros do Trabalho, do Orçamento e o da Função Pública, autor dessa joia de frase: "Não há razão pra baixar os salários dos ministros na França porque os salários dos funcionários (públicos) não vão baixar".
Vê-se que, como bom francês, igualdade e fraternidade são valores que o ministro preza. Pelo menos quando lhe convém.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
O que foi dito
"No homem cordial, a vida em sociedade é, de certo modo, uma verdadeira libertação do pavor que ele sente em viver consigo mesmo, em apoiar-se sobre si próprio em todas as circunstâncias da existência. Sua maneira de expansão para com os outros reduz o indivíduo, cada vez mais, à parcela social periférica, que no brasileiro - como bom americano - tende a ser a que mais importa. Ela é antes um viver nos outros."
Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Os sujos e os mal lavados
Achei que tinha ido dormir tarde quando desliguei o computador à 1h30 desta segunda-feira. Mas os ministros da Economia dos 27 países europeus foram dormir mais tarde ainda. Só encerraram a reunião sobre a crise na Zona Euro às 3h. Não sem razão. Eles têm mais problemas pra fechar as contas do que eu com meu cheque especial.
Do encontro em Bruxelas terminado há pouco, saiu a decisão de criar um fundo de até 750 bilhões de euros para socorrer países da União Europeia em dificuldades. O negócio é tentar reparar o mais rapidamente possível o estrago em marcha, a que se demorou tanto a reagir. Começou pela Grécia e já engolfa Portugal e Espanha, aos quais já está sendo exigida a apresentação de sérias medidas de "austeridade".
Daí uma reunião tão exaustiva, com tantas consultas, vaivéns, troca de telefonemas entre os ministros e suas capitais, para que se arrumasse uma resposta forte a se dar ao mercado antes mesmo que as bolsas abrissem nesta segunda-feira. Tóquio começou o dia com uma leve respirada. A ver como andarão as da Europa e as dos Estados Unidos.
O problema maior é que grande parte dos fiadores desse acordão, como França e Reino Unido, não estão em situação tão mais confortável do que os colegas em dificuldades. É aquela coisa: o sujeito está cheio de dívidas, não tem dinheiro, mas, como goza de melhor prestígio, arruma algum emprestado na praça com o crédito que tem para repassar a terceiros a juros mais altos. No fim, ainda espera sair com uns trocados no bolso por essa operação.
Mas, se rolar calote de algum lado, já sentiu, né? Corre porque a quebradeira será geral.
Assinar:
Postagens (Atom)
