quarta-feira, 17 de março de 2010

Camelódromo de luxo

Ela é considerada a mais linda avenida do mundo. Vai da Place de la Concorde aos pés do Arco do Triunfo. A Champs-Élysées, que virou baladinha muito simpática na década de 70 em letra e música de Joe Dassin , resistiu até mesmo à marcha do exército de Hitler. Mas, agora, os parisienses se inquietam quanto ao seu futuro.

Os estabelecimentos comerciais de lazer - restaurantes, bares, casas de espetáculo - que deveriam ser o carro-chefe do lugar, têm cedido, pouco a pouco, espaço a lojas prêt-à-porter. Nos últimos três meses, um teatro e uma cervejaria bem bacanas fecharam suas portas, pressionados, principalmente, pelos preços de aluguel, que chegam a 1.500,00 euros mensais, o metro quadrado.

Vão ser substituídas por Thomas Hilfiger e Levi's. Um ano e meio atrás, um grande protesto impediu a instalação da H&M no número 90. Mas o capitalismo é um câncer, é nefasto como o nazismo. E, devagarzinho, vai tomando conta de tudo. A resistência continua. Mas, esperando oportunidade para aterrissar por lá, já estão vários desses grandes grupos.

Em breve, se nada de concreto realmente for feito, um dos cartões postais mais conhecidos do mundo pode virar um imenso shopping center ao ar livre.

terça-feira, 16 de março de 2010

Quer dar um giro de 180 graus por Paris?

Entre no site abaixo e veja que beleza de projeto, esse Paris 26 Gigapixels. Os caras mandaram muito bem. Você viaja diante da tela.

Abrindo as asinhas

Os franceses já se apresentam como vencedores da licitação para a compra dos FX2 pelo Brasil. Aguardam apenas o anúncio oficial para o dia 30 deste mês, mas com a plena consciência de que "o presidente brasileiro Lula e seu ministro da Defesa, Nelson Jobim, sustentam a vitória anunciada" de compra dos Rafale.

Os Emirados Árabes e a Líbia são outros dois países engatilhados para adquirir aviões do mesmo modelo a Dassault, construtora das aeronaves. Mas nenhum dos três negócios deve ser executado ainda este ano. No caso do Brasil, por conta do calendário eleitoral.

Se a França sair mesmo vencedora da licitação brasileira, será o terceiro tipo de armamento comprado aqui por nós. Desse supermercado francês, já pusemos na cestinha helicópteros e submarinos nucleares.

Isso só me faz lembrar a modinha do Juca Chaves, Brasil já vai à guerra, composta em 1956 quando compramos um porta-aviões de segunda mão ao Reino Unido. Escute no link que peguei emprestado da página do Franklin Martins.

Em fase de crescimento

O Libération traz nesta terça-feira uma matéria muito positiva sobre o Brasil. Fala que, depois de um 2009 de crescimento nulo, o país retoma o fôlego em 2010 com perspectivas animadoras de ritmo de crescimento.

O presidente de filial brasileira de um grande grupo bancário francês chega mesmo a dizer que os investidores apostam no nosso potencial a longo prazo. "O Brasil tem diante de si de 20 a 25 anos de crescimento quase garantido."

É um alento abrir o jornal e ler algo assim. Lembra que a gente só vivia em crise? Não?!? Então, você não participou daquele agradável jantar com Odete Roitman:


segunda-feira, 15 de março de 2010

Eu gossssstho!

Tem despertado curiosidade aqui na França o livro Femmes fatales, les criminelles approchées par un expert, lançado no fim do ano passado pela psicocriminóloga Michèle Agrapart-Delmas. A perita comprova que agressões sexuais não são priorado dos homens e que nós, sim, podemos ser violados por mulheres.

Só na casa de detenção de Rennes, por exemplo, onde existem apenas presas, 25% delas são agressoras sexuais, ou seja, uma em cada quatro.

Muitos dos casos estão no campo da pedofilia e do incesto. Mas outros tantos estão relacionados à vida conjugal. Começam com brincadeiras e jogos, e depois viram sadismo.

Peculiar é que os homens, dificilmente, vão à polícia registrar o caso. Depois da noite de tortura perpetrada pela companheira, optam simplesmente pelo rompimento da relação.

Está no Louvre



A Liberdade guiando o povo - Eugène Delacroix

domingo, 14 de março de 2010

O 72 é o cara!


Paris é daquelas cidades no mundo em que você não precisa morrer numa grana com site seeing bus para ver atrativos turísticos. Em cada rua, em cada canto, há uma história, há algo de interessante a conhecer. E este é um lugar que valoriza muito isso. Há placas por todos os lados, de todos os tamanhos, contando quem morou naquele prédio, quem nasceu naquela casa, quem morreu naquele hotel, o que é aquele monumento, quem foi aquele sujeito que deu nome àquela avenida.

Isso dá uma sensação de familiaridade danada com o local em que se está. Você se sente em um território mais conhecido, mais acolhedor, cheio de referências por todos os lados, que fazem aflorar um clima comunitário muito forte. Ao lado de onde moro, por exemplo, aprendi que nasceu Marcel Proust, trabalhou Jean-Baptiste Carpeaux, habitou o Barão do Rio Branco, viveu Boileau, morreu Claude François.

Então, o negócio por aqui é caminhar para conhecer. A todo momento, você encontrará algo de formoso para admirar e curioso de saber. Mas, se tem pouco tempo e quer dar um passeio rápido pra ver muita coisa, alguns ônibus convencionais vão te oferecer uma solução barata ao problema. Por apenas 1,60 euro, você pode conhecer alguns dos pontos mais turísticos de Paris montado em um transporte público de qualidade.

Deixo aqui a sugestão da linha 72, que liga o Parc de Saint-Cloud ao Hôtel de Ville, sede da Prefeitura. Se você pegar o ônibus no início do trajeto em direção ao centro da cidade, vai pela margem direita do Sena vendo belezas como a Torre Eiffel, o Trocadéro, o Palais de Chaillot, o Museu de Arte Moderna, o Palais de Tokyo, Invalides (onde estão os restos mortais de Napoleão), a Assembleia Nacional (a Câmara dos Deputados deles), o Museu d´Orsay, a Pont des Arts, Châtelet e a própria Prefeitura, que é linda. Ah, de quebra, passa ao lado do túnel de l´Alma, dentro do qual morreu Lady Di.

Na volta, você ganha o Louvre, o Palais Royal, o Jardim de Tuileries, a Place de la Concorde, o início da avenida des Champs-Elysées, de onde vê o Arco do Triunfo ao fundo, o Grand Palais e, se já estiver batendo aquela saudade de casa, levante a cabeça logo depois que passar pelo Palais de la Découverte. No alto, vai encontrar uma familiar bandeira verde e amarela tremulando dentro do Hôtel Schneider, sede da Embaixada do Brasil em Paris.

Dê parada, desça do ônibus e, no Chez Francis, que fica de esquina com a avenida George V, de frente pra Torre e à brisa do rio, invista todo o dinheiro economizado em Stella Artois. Você vai ver que fez um ótimo negócio.