quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Eleições ferroviárias



No cenário acima, o primeiro metrô chegará à estação ao mesmo tempo que o segundo.

Como isso não é possível, apenas um trem entrará no cais. E ninguém jamais saberá se, antes de chegar, ele estava na primeira ou na segunda colocação.

No fundo, quem fica com a razão é a placa.

A isso, dá-se o nome de empate técnico.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Já vi esse filme



Sarkozy não tem bigodes indecentes, não tem o Maranhão por feudo nem o Amapá por sinecura. Mas seu governo o tem deixado com contornos de Sarney.

A economia francesa estagnou, a inflação aumenta, a corrupção cresce, o poder aquisitivo reduz e os sacrifícios impostos à população para pagar a fatura seguem em alta.

As greves, agora, desabastecem o país. As grandes empresas já estão sem combustível pelo bloqueio das refinarias, os postos também estão com as bombas secas, alguns gêneros alimentícios começam a sumir das prateleiras pela paralisação dos caminhoneiros.

Mas o pequeno Napoleão mostra-se intransigente com a sua reforma da previdência, que aumenta a idade para a aposentadoria e o limite para receber o benefício integral.

A batalha no Senado, que ocorrerá no 20 ou 21, promete.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O que foi dito

Um inimigo que superestima os nossos defeitos é o mesmo que um amigo que subestima as nossas qualidades.

Dom Corleone

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Barato auditivo


Nem fumar, nem cheirar, nem beber. A onda agora é consumir droga pelos ouvidos. O negócio começou nos Estados Unidos e, aqui na França, chegou cheio de adeptos.


As e-drugs são umas misturas de frequências sonoras, com duração entre 15 e 30 minutos, que você compra pela Internet pra ficar chapado.

O preço mínimo é de 10 dólares. Mas algumas mais pesadas chegam a custar 200 georgewashingtons.

Elas são legais. Ainda. Trazem embutidos batimentos bineurais, fenômeno neurológico cujos efeitos psicológicos são altamente controversos.

Você baixa a música, apaga as luzes do quarto, deita, fecha os olhos (dica importantíssima) e põe o negócio pra rodar.

Há para todos os gostos, de todos os tipos: maconha, ópio, euforia, orgasmo.

O modelo "Mão de Deus" é apontado como um dos melhores. Custa 199 dólares e, segundo os depoimentos dos usuários, promove uma saída do corpo, com direito a viagem astral.

Sobre o do orgasmo, um utilizador comentou na página onde se compram as e-drugs: "No começo, eu não senti nada. Mas, ao fim de dois minutos, notei que meu soldadinho estava em posição de guarda".

Eu achava que transformar música em drogas era coisa só de dupla sertaneja e grupo de pagode. Mas o admirável mundo novo de Aldous Huxley está em cena para provar o contrário.

Sou da moda antiga. Fico com a cerveja.


terça-feira, 10 de agosto de 2010

O que foi dito


"Só no Ocidente houve progressos, muitos, mas ainda há discriminação. Quem sabe a própria venha a calhar nesse momento de eleições, atiçando os machos selvagens e nos salvando da Dilma?"

Maitê Proença, atriz


"Homi, num abra a boca pra falar merda, não! Triste da mãe que tem um filho que faz da boca cu."

Jessier Quirino, poeta paraibano

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Viramos grife


Ser Brasil está na moda. Além do orgulho próprio dos brasileiros de andar pelo exterior portando camisas da seleção, em que pese os tempos de pífio desempenho, é considerável o número de não-brasileiros usando algo que lembre nosso país.

Em lojas de esporte e até de souvenir pela Europa, creiam, há camisas de Robinho, de Kaká (cuja pronúncia, em francês, quer dizer cocô) e de Ronaldo (Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem). Nos supermercados, são destaque os produtos com origem brasileira, como os sucos feitos com laranja do Brasil.

Encontrei nas praias do sul uma francesa de uns 19 anos com biquíni em estampa da nossa bandeira. À pergunta da Carol se era brasileira, ela respondeu com um sorriso desolado: "Non, malheureusement non". Não tinha qualquer laço que a unisse a terras exóticas e tropicais além do da simpatia.

Outro dia, vi em Praga um sujeito eslavo com uns sapatos todos desenhados também com a nossa flâmula. Eram tão rudimentares, os calçados e o seu proprietário, que acredito que o porra-louca os comprou em uma grife ecológica-sem-recursos dessas que pipocam por aí ou ele mesmo os produziu no quintal de casa.

Em suma, já somos uma espécie de marca.

Fulguras, ó Brasil, fodão da América!

sábado, 24 de julho de 2010

Playmobil campanha eleitoral


Dilma inaugura, ao lado de Lula, mais uma obra inacabada do PAC


José Serra e Índio da Costa conferem o sucesso do atendimento pelo SUS


Marina Silva faz caminhada com candidatos a deputado federal pelo PV

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O que foi dito


"Essa cova em que estás,
com palmos medida,
é a cota menor
que tiraste em vida.

É de bom tamanho,
nem largo nem fundo,
é a parte que te cabe
neste latifúndio.

Não é cova grande,
é cova medida,
é a terra que querias
ver dividida."

João Cabral de Melo Neto, em Morte e Vida Severina

?



Paris é uma cidade dividida em 20 regiões político-administrativas, chamadas de arrondissements. Cada uma delas tem prefeito eleito pelo voto direto, cujo poder de mando faz os cargos serem disputados por muitos medalhões da República e dá mesmo cacife para que eles possam fazer frente, em muitas áreas, ao mando do próprio prefeito da cidade.

O 16o arrondissement é o mais rico deles. Ele é 1/20 dentro da cidade, mas, sozinho, responde por 1/5 do orçamento de Paris.

É o mais conservador deles. Em qualquer eleição, a direita - mesmo em épocas em que Sarkozy amarga a pior rejeição de um presidente na V República - ganha, logo no primeiro turno, com 80% dos votos.

É o mais segregacionista deles. Os moradores declararam guerra à Prefeitura de Paris, que é de esquerda, contra a implantação no bairro do programa municipal de fomento a moradias para pessoas de baixa renda, chamadas HLM (habitations à loyer modéré).

Dos 20% de habitações desse tipo exigidos por lei em cada bairro, o 16o arrondissement tem apenas 2% cumpridos.

Organizada, a cruzada antivizinhopobre da gente chic da região breca, atualmente, a implantação de 407 moradias dessa natureza. Na área norte do arrondissement, uma associação de moradores já desembolsou 25 mil euros com advogados para barrar na Justiça a viabilização de 135 delas.

O prefeito do bairro, figurão da direita, grita contra o prefeito de Paris, expoente da esquerda: "Bate-se na burguesia para se fazer popular entre os pobres". A esquerda responde que o Seizième é área de gente que se recusa a passar por uma "mistura social".

Afogados nas incertezas, mais do que aqueles que precisam das habitações, ficam os valores de todo um povo tão conhecidos entre nós desde os bancos de escola.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

E por falar em saudade...



36, avenue de l'Opéra, 2ème arrondissement, Paris.

domingo, 27 de junho de 2010

Todos querem um lugar ao sol


Piscina pública de Boulogne-Billancourt

Hora: 12h
Temperatura: 30 graus
Tempo de espera para a entrada: 1 hora


Piscina pública de Boulogne-Billancourt

Hora: 17h
Temperatura: 27 graus
Tempo de espera para a entrada: Sem previsão. Portarias fechadas até o esvaziamento de público necessário


sexta-feira, 25 de junho de 2010

Está lá em casa



O futebol do Brasil - João Nogueira da Costa Lima

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Allez Brésil!



O espírito esportivo, eu entendo. Vale a competição, não se ri do perdedor, blablablá, blablablá. Mas que foi lindo o fiasco da França na Copa do Mundo, ah, menino, isso foi.

Pra fora, a gente fala: "C'est dommage. Je suis vraiment désolé pour vous et pour les Bleus". Mas pra dentro, há aquela risada sórdida e incontrolável. É assim a polidez.

A coisa me enche mais ainda o peito quando entro de manhã no metrô e está lá um garoto loiro-dos-olhos-azuis, com seus 15, 16 anos, francês há 20 gerações, indo para a escola com a camisa da seleção brasileira.

É algo que não conseguimos imaginar. Não é lógico pra nós, numa Copa do Mundo, pensar num brasileiro portando camisa de seleção que não seja a nossa.

Hoje, vindo pro trabalho, esbarrei numa banca de revista da avenue Montaigne - o caminho mais chique da cidade, onde Prada, Louis Vuitton, Channel, Valentino e outras grifes dividem espaço - com o nosso pano verde-amarelo hasteado bem na frente, exposto como se fosse mais valioso do que os que se mostram pelas caras vitrines da avenida.

Vejo que há por aqui um respeito imenso pelo nosso futebol. E, nesses momentos vergonhosos enredados por Anelkas e Domenechs, irrompe entre os franceses a incontrolável vontade de ter um time pra chamar de seu. Mesmo que seja o meu.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

19 dias depois...


Tem alguém aí?

sexta-feira, 4 de junho de 2010

MPB francesa



Na terra que pariu ao mundo nomes como Edith Piaf, Jacques Brel, Claude François, Charles Aznavour, música boa é um negócio meio marginal.

Acho uma merda não encontrar um bar em toda Paris onde haja um grupo ou cantor que segure a noite com música popular francesa. Já revirei guias, interroguei amigos, indaguei a conhecidos de ocasião, inquiri gente perita, vaguei por lugares ermos, mas nada, nem sinal.

Tomo cervejas, de regra, em ambientes musicalmente mudos. Conheço gente no Brasil que é capaz de cometer um homicídio se sentar num bar e alguém ousar entoar Dia branco. Se forçar voz de Geraldo Azevedo então, não duvido mesmo que o sujeito mate, além do cantor, a família do cabra e mande salgar suas terras.

Mas a mim me faz falta tomar uma gelada ouvindo uma musiquinha ao vivo. E não falo de música brasileira porque essa, vez ou outra, sempre rola por aqui, encabeçada mesmo por grupos de franceses. Falo da música popular da terra, tocada com acordeão e tudo. Essa, não se encontra.

Fosse daqui o meu caro amigo, Paris seria outra, cheia de cantos por todos os lados. Mas, em não sendo e não dispondo a cidade do mesmo hábito brasileiro de abrir espaço a músicos em bares e restaurantes, as canções tão famosas só ressoam mesmo nas nossas cabeças, com cheiro de passado, sem ninguém que se ocupe de trazê-las de volta à ribalta. Não à toa, a rádio que mais as relembra se chama Nostalgie FM.

Uma pena porque, aos poucos, vão caindo essas vozes e essas músicas no esquecimento, perdendo terreno para outras tantas de péssima qualidade como as que invadem os ares franceses em tempos atuais.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O que foi dito


"Em Portugal, para fazer-se um conde se pediam quinhentos anos; no Brasil, quinhentos contos."

Pedro Calmon, historiador

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Tome choque



Os policiais municipais franceses receberam autorização para, a partir de hoje, voltar a portar as chamadas pistolas a impulsos elétricos.

Elas tinham sido retiradas de circulação no fim do ano passado pelo Conselho de Estado, a mais alta instância administrativa da França, sob a alegação de que seu uso não estava suficientemente regulamentado pelo decreto de oito linhas que autorizava a utilização pelos policiais.

O governo, então, editou novo decreto, dessa vez com duas páginas, publicado no diário oficial de hoje, fundamentando melhor a coisa. O equipamento só poderá ser portado por agentes treinados e deve conter dispositivo sonoro e câmera associada ao visor.

A descarga elétrica da belezinha, de mais de 50 mil volts, bloqueia o sistema nervoso central da vítima, deixando-a inerte e no chão durante algum tempo. Cerca de 18,5 mil policiais disporão de uma pistola desse tipo, marca Taser. A Rede de Alerta e de Intervenção pelos Direitos Humanos, autora da ação junto ao Conselho de Estado que tentou impedir o uso da arma, é totalmente contra a sua utilização.

terça-feira, 25 de maio de 2010

O esquadrão deles


Às vésperas do início da Copa, fim do mistério. Raymond Domenech anunciou pelo site da Federação Francesa de Futebol os escalados para a seleção que comanda.

De surpresa, apenas Valbuena, que joga no OM e foi convocado como reforço aos atacantes. De resto, um timezinho insosso, que não empolgou ninguém por aqui.

No gol : Hugo Lloris (Lyon), Steve Mandanda (Marseille), Cédric Carrasso (Bordeaux)

Na zaga : William Gallas (Arsenal/ENG), Eric Abidal (FC Barcelone/ESP), Bakary Sagna (Arsenal/ENG), Patrice Evra (Manchester United/ENG), Gaël Clichy (Arsenal/ENG), Marc Planus (Bordeaux), Anthony Réveillère (Lyon), Sébastien Squillaci (FC Séville/ESP)

No meio-de-campo : Abou Diaby (Arsenal/ENG), Alou Diarra (Bordeaux), Yoann Gourcuff (Bordeaux), Florent Malouda (Chelsea/ENG), Jérémy Toulalan (Lyon)

No ataque : Nicolas Anelka (Chelsea/ENG), Djibril Cissé (Panathinaïkos/GRE), André-Pierre Gignac (Toulouse), Sidney Govou (Lyon), Thierry Henry (FC Barcelone/ESP), Franck Ribéry (Bayern Munich/GER), Mathieu Valbuena (Marseille)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Está no Museu d´Orsay



A origem do mundo - Gustavo Courbet

terça-feira, 18 de maio de 2010

Mundo cão



Eike Batista tem sob as solas dos seus sapatos uma fortuna de 27 bilhões de dólares, incontáveis empregados e todos os que estão abaixo da sua oitava posição no ranking da Forbes. Mas, quando vem a Paris, seus belos e ilustrados Gianni pisam em algo além de pedais de Ferrari e Maserati. Às solas de Eike Batista, agrega-se uma quantidade considerável de bosta de cachorro que há espalhada por todos os cantos desta cidade.

Não me engano quando digo que a capital francesa é mais dog friendly que child friendly. Há cafés, bares e restaurantes por aqui onde seu cão é muito mais benvindo que seu filho.

Os cachorros agradam famílias e são companheiros de muitos idosos e solitários. Estão indissociavelmente ligados à atmosfera local.

Somam cerca de 200 mil. Mas os seus cocôs viram um problema social, já que, como vivem em apartamentos, é a rua que fazem de toillete. Por dia, essas belezinhas produzem em torno de 16 toneladas de excrementos, que são solenemente ignoradas por seus donos. Mesmo as multas aplicadas a partir de 2002, que podem chegar a 450 euros em caso de reincidência, parecem não sensibilizar a turma por aqui.

Além dos 16 mil quilos de excrementos, há outro peso a se considerar: o financeiro. Para dar conta de tudo isso, a prefeitura despende, anualmente, 11 milhões de euros dos contribuintes com vistas a contornar o problema das "dejeções caninas".

Quando há neve ou chuva, então, o caldo entorna: misturadas a gelo e água, as "obras" viram umas pastas propícias à patinação, que derrubam pelas ruas 650 incautas criaturas todos os anos.

No Brasil, há quem diga que pisar em cocô de cachorro significa dinheiro chegando. Penso que isso foi criado para minimizar o ódio do sujeito que, andando na rua, se sente infeliz por pisar em merda. Mas, se essa máxima for verdade, não há lugar no mundo com mais possibilidade de se enriquecer rapidamente do que Paris.